Era julho de 1987, alguns diziam ser somente mais uma noite de inverno na cidade, outros diziam ser o início de uma lenda.
No bairro, calçadas vazias cobertas pelo gelo que caia sutilmente na face terrestre, impedindo a passagem de qualquer pessoa. Nas ruas, somente uma imagem de solidão onde o frio ponderava a meia noite.
A cidade inteira adormecia, porém alguém resiste em manter seus olhos abertos a dura realidade. Era uma simples menina, cujos olhos negros não escondiam o medo da solidão que apontavam à janela do quarto, levemente embaçada pela geada daquela noite. Seu nariz avermelhado semelhante a uma rosa recém aberta que procurava aromas humanos, mas ninguém estava lá.
A menina se levantou e foi de encontro com um armário que porta que chorava quando aberta. Ela vestiu por cima do pijama um sobretudo preto e galochas de chuva. Foi ao encontro de qualquer pessoa.
Assim que chegou na calçada de casa, a menina vestiu a touca do sobretudo e deu passos cada vez mais largos, em direção de calor humano. No caminho, lâmpadas apagadas e árvores curvadas por conta do forte vento; um completo cenário de filme de terror.
Durante a busca, a garoa tocou gentilmente sua face solitária enquanto que suas galochas amassavam o restante da grama intacta pelo gelo.
Ela passou por uma casa onde somente uma luz predominava acesa, guiando a menina para o lugar onde ela depositava esperanças. Assim que chegou na porta, bateu palmas e acreditou que em alguns segundos alguém fosse aparecer. Somente depois a menina percebeu que a luz acesa não passava de um mero descuido.
Desiludida, a menina continuou sua jornada em direção a praça do centro da cidade, mas ao chegar a única imagem vista fora um cachorro encostado na fonte morto pelo frio cortante. Triste, a menina estava começando a perder as esperanças, quando avista de longe um homem de chapéu e casaco marrom. Ela correu em direção ao homem, agarrou sua mão e com uma pausa em sua respiração ofegante ela sorri, mas o homem não tem reação alguma. Ao olhar sua face, a menina entende que se tratava de apenas uma estátua, e nada mais.
Então, ela decide se sentar num banco com as palavras “para sempre” toscamente esculpidas e decide permanecer por algum tempo, torcendo para que alguém aparecesse antes que o frio rigoroso atacasse ainda mais sua frágil pele de cetim.
Mas ninguém apareceu.
As cores sombrias da noite cederam lugar ao sol da manhã que incentivou a volta dos cidadãos, que encontraram no banco da praça do centro da cidade a imagem de uma menina que teve esperanças, que não resistiu ao forte inverno de julho de 1987.
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20 comentários:
Po gostei ce tem talento.
Tocante.
Quando você escrever um livro eu compro.
Um abraço.
Blog do Niltinho 2.0
gostei mto bom
eh triste
mas eh bom
Parabéns qerida, isso prova q vc tem grande capacidade de quebrar todas as barreiras q aparecerão na sua vida..e eu espero q vc faça muitos outros textos assim, e é claro, sempre adquirindo mais conhecimento.
..Beijo da sua mamae!
Belas Historias... falta um toque de alegria e humor
mas está excelente
Parabens
lindo texto
vou voltar mais vezes, visse!
AXEI MT DOWN... POREM BEM ESCRITO
alguém aqui escreve uma narrativa de forma agradável de ler.
História linda e tocante!!! Gostei do seu blog, voltarei aki mais vezes...
BjO.
Seu texto me lembrou um livro: enqto a noite não chega de Josué Guimarães. Vc escreve somente qdo está inspirada ou simplesmente pega o papel e a caneta a qq h e dá vazão à imaginação?
Como prof, analiso que vc escreve bem, o conteúdo de seu texto está conciso, mas apresenta alguns erros sutis. Nada de mais.
Precisa tomat cuidado p/q não te roubem o q escreve. publicar textos seus pode acarretar nisso. Alguém pode aparecer e registrar seus textos. Assim vc perde o direito da autoria perante a lei e pode ser processada se assná-los. Só uma dica.
Gosto muito do teu blog.
E esse texto *---*
Nossa ta demais!
Você escreve belas histórias. Adoro mesmo (:
Beijos
Bom texto. Dá até para sentir o frio lendo ele. Boas descrições, gostei das reviravoltas da estória também, o hoem que na verdade era uma estátua, a luz acesda que na verdade se tratava de um descuido.
Muito bom.
Curti muito, esse blog tem futuro.
Um pouco de força no Layout. Ótimo!
Agora, participem do IBlog, o novo blog de divulgação!!
http://iblogworld.blogspot.com/
Podemos fazer uma parceria sim, gostei do seu blog, vou ler os posts mais antigos depois com mais calma.
Vou pegar o seu banner e seu link e daqui a pouco ponho no meu blog, abraços.
Nossa que coisa mais triste!!!
Em julho de 1987 eu tinha 5 meses de idade
auhauhahuahuuhaa
http://www.avidanobeco.com/
Procure, em sua cidade, através do google, onde vc pode registra seus direitos autorais. Aqui em Porto Alegre/RS é na biblioteca da Universidade Federal. Reúna seus textos em um caderno e ligue para o local onde vc pode fazer isso, a fim de registra seus textos. Na época em que verifiquei aqui o custo era R$20 a cada 100 páginas. Eles têm algumas exigências como os textos estarem digitados, fonte arial, etc. Procure ver isso.
Nossaaaaaaaaaaa....
Nem era nascido =( hehehe
zueira...
Então... gostei dimais... parabéns...
Abraços
Cisco
http://borarir.blogspot.com/
Parabéns pela historia, achei triste ...voce escreve bem!
gostei .. bem triste.. mas gostei ..
vc tem talento...
abç..
Sobre suas palavras no meu BLOG, é verdade, concordo contigo.
Aqui vai algo pra ilustrar:
"A única constante é a inconstância"
Ou como diz o velho Heráclito:
"Num mesmo rio somos e não somos,
entramos e não entramos"
Amplexo,
Graziano Costa.
www.speculacoes.blobspot.com
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