quarta-feira, 2 de julho de 2008

Quatro Estações



Era somente mais uma manhã de outono, ela se cansou de ficar em casa. Na rua, ela presenciou a queda das folhas cairem sutilmente no chão coberto pela geada da madrugada.
Andando com passos tímidos, ela estava tão feliz que andava na tentativa de provar para todo mundo que não precisava provar nada para ninguém.
Ela fez questão de esquecer as dores do passado e conformou-se que não era mais criança. Ela somente queria andar na estrada do destino, e quase sem querer encontrar seus verdadeiros objetivos.
Com palavras repetidas ela pediu desculpas e foi embora, deixando seus sonhos de criança para trás.Com a face pálida por conta do frio, ela chorava por sentimentos passados, sabendo que tinha visto coisas que não queria ver.
Ela se lembrou das fantasias que tinha quando era somente uma criança sem sonhos formados.
As perguntas se afundavam em respostas, afundando-a de longe.
Os meses foram passando depressa, e com eles a mudança de estações.
Ela viu os botões de rosa se abrirem com o perfume da manhã, com os raios solares abraçarem-na gentilmente. Ela viu a grama crescer em direção ao sol.
Ela ouviu a lua dizendo-lhe para esperá-la dormir, e somente depois ir embora. Ela viu as estrelas sendo ofuscadas pela luz do sol, sumindo uma a uma.
Ela saboreou das gotas da garoa que caia nos fins de tardes de verão.
Ela viu que o céu é maior, fazendo-a chegar a algum lugar deserto. Sua única companhia era o destino.
Ela, que não se acalmava, desaconselhou a chuva a cair em sua face triste, dizendo-a para cair nas suas costas enquanto ela dorme na grama do jardim de solidão.
Ela descobriu as nascentes que brotavam das curvas das montanhas com picos cobertos por flocos espessos de neve.
Ela estava cada vez mais perto de sua lucidez e cada vez mais longe de seus sonhos. Ela acreditou na existência daquele sentimento secular chamado amor.
Ao descobrir que nada mais existia, ela também descobriu que seu caminho não tinha volta.
Ela fora obrigada a viver a dura realidade.
Ela, que não se acalmava, desaconselhou a chuva a cair em sua face triste, dizendo-a para cair nas suas costas enquanto ela dorme na grama do jardim de solidão. Ao acordar, ela decidiu voltar para casa e sair somente quando o próximo outono chegasse.

20 comentários:

Peter Teko disse...

"Provar pra todo mundo que não precisa provar nada à ninguém"

*-*

Beijo querida!
www.soca-gada.blogspot.com

An@Lu disse...

muito bonito o texto. parabéns!

Thalita Lucas disse...

Nossa lindo, mas triste...
Vc foi quem escreveu? Tem moral viu?
Bjo

Querido Diário Otário disse...

Lindo *-*
Adoro teus textos.
Beijos querida (:

Tiffany disse...

"Ela estava cada vez mais perto de sua lucidez e cada vez mais longe de seus sonhos. Ela acreditou na existência daquele sentimento secular chamado amor."

lindo, lindo *-*

Daniel Augusto disse...

huauhahu...


ela é uma reação quimica em cadeia ambulante...

gostei de tudo...

vc narra bem...

e a personagem é puro hormonios...

^^'

bye

http://www.causagendi.blogspot.com/

João Áquila Lima dos Santos disse...

poético! parabéns!

Peloo disse...

Muito legal o blog. Ótimos textos
parábens.

www.tediozeronanet.blogspot.com

Tragicomicuzinho disse...

bonito, parabens!!

bjo

Lovelace disse...

comentários curtos normalmente veêm de pessoas que nem leram o texto...
;-;

Lovelace disse...

*ps.: eu escrevo TODOS os textos :D

Roberta disse...

Encantadora a forma com a qual você eleva o personagem ao sentimento amor e como ele reagi quanto a isso, de forma triste e sincera, pois no fundo todos queremos um tempo pra fugir, depois de se deparar com determinado crescimento, ela está passando por uma crise existêncial, "é fase" ;B~ hahaha.
Gostei muito do seu texto, valeu a pena esta 6:50 da manhã na net olha só o que eu achei ;]. Parabéns ;*

Thaíssa Vasconcelos disse...

"ela presenciou a queda das folhas cairem sutilmente no chão coberto pela geada da madrugada."

Onde se passa mesmo essa história???

Em algumas passagens me pareceu meio conto de fadas!

Mas bem interessante e bem escrito.

Thaíssa Vasconcelos disse...

Ah...vi um dos seus comentário..não...comentários curtos nem sempre vem de pessoas que não leram!

Vem de pessoas que não leram aquelas babaquices : "visite meu blog"

Ou você quer altas análises literárias do texto??? ¬¬

Kiko disse...

Citando Renato Russo?

Pareceu pelo menos!

Sua idéia de colocar alguém que se transforma junto com o tempo com o clima e com a paisagem é tão humana, não somos assim também? esse cilo maldito que nos faz sorrir e nos faz chorar tanto... é desesperador saber que o final, é o mesmo tanto para um quanto para outro... o bom ou o ruim, o triste ou o feliz...

Beijo

Lovelace disse...

eu quis dizer:
comentários como:
'legal o blog. entra no meu"
normalmente são de pessoas que não leram...
eu não pedi altas analises,as faz quem quer, você que se dane, gata (:

Otávio B. disse...

"Acho que era Julho, de 83...Ninguém me compreendia, e eu não compreendia ninguém"

Não sei pq, isso me lembrou indelevelmente esse verso.

Bonitas as analogias.

Beijos
http://hangardezenove.blogspot.com/

Blogueiro - Leandro R. disse...

Você se cadastrou no IBlog,mas não inseriu o nosso banner aqui.

Então é o seguinte, você tem 48 horas para colocar o nosso banner aqui,ou senão o LoveLace será cortado dos serviços de divulgação e propaganda do IBlog.

Aguardando resposta!

A Equipe IBlog agradece, e espera a sua compreensão.
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Querido Diário Otário disse...

Oi querida, tenho presentinho no meu blog pra você (:
Espero que goste.
Beijão!

Luna disse...

Muito poético seu texto! Parabéns!