quarta-feira, 20 de agosto de 2008

As Frias Flores do Inverno


Era uma gelada manhã de inverno e ela acabara de se levantar.
Calçou os chinelos e desceu para a cozinha para tomar café. Após a refeição ela se sentou no sofá para ver o que passava na TV.
Cansada de mudar de canal constantemente, ela abriu a janela da sala que dava de frente para a rua e percebeu que as pessoas lá fora se divertiam com seus sorrisos calorosos e cachecóis compridos que encostavam o chão.
Ela subiu para seu quarto, abriu o guarda roupas e tirou o primeiro casaco que havia por lá. Sentou-se na cama e vestiu suas longas botas de inverno. Ao se levantar, ela colocou suas mãos delicadas por dentro dos bolsos e encontrou uma carta.
Ela não sabia a origem da carta, somente sabia que estava lá. Curiosa, abriu o papel enquanto descia pelas escadas.
Um vento forte sopra e leva de carona o pequeno pedaço de papel, fazendo-o cair na calçada molhada pela noite urbana.
Ela saiu correndo em direção à carta e ao encontro ao pequeno papel.
Assim que ela o pegou na mão, percebeu que era tarde demais para ler a mensagem, pois a tinta havia borrado tornando a mensagem praticamente ilegível.
Após voltar para casa, ela observou o papel novamente, agora mais seco. Por entre os borrões de tinta ela observou as palavras “Sinto muito”.
Desconfiada, ela pegou o telefone e ligou para a amiga que ela não via por dias por culpa da mágoa. Depois de uma longa conversa pelo telefone, ela percebeu que se tratava de uma carta de desculpas, as palavras inúteis haviam sido apagadas pela água, restando somente as palavras que realmente importavam.
Ela sorriu, pegou as chaves e foi de encontro com as pequenas flores que resistiam naquele inverno gelado.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Ela e a Natureza



Sentada na grama ela teve a visita do vento que cochichou em seu ouvido as palavras mais belas. A brisa bagunçou seus cabelos e os raios solares aqueceram sua face límpida.
A sombra que a protegia era devida as árvores que sonhavam em alcançar o céu. E foi lá mesmo, naquela grama molhada que ela adormeceu.
Ela teve sonhos terríveis, dignos de um filme de horror. Ao acordar, ela estava com o rosto soado, devido o sofrimento.
De inicio, ela teve receio em abrir os olhos, mas bastou levantar suas pálpebras para perceber os raios do sol em meio de um crepúsculo que escapavam pelos galhos das árvores. Por ser uma típica tarde de verão, o fim de tarde cedeu à garoa fina.
Mas ela decidiu ficar ali mesmo, e ser banhada pelas gotas que pingavam do céu e molhava seus pés. Mesmo que muitos a chamem de louca, ela ficou ali, em companhia com a garoa da estação.
Ao escurecer, ela voltou para casa, subiu as escadas e foi ao seu quarto, deitando em sua cama e indo de encontro ao sono, num lugar onde não havia nada além do teto.