terça-feira, 16 de setembro de 2008

Batom Vermelho

Somente uma manhã de verão na cidade paulistana, um dia normal.
Ela se levantou, deixou de lado os lençóis vestiu os chinelos e foi ao banheiro.
Ao passar pela frente do espelho, ela se deparou com a imagem de uma pessoa ao qual ela desconhecia a origem. Bastou passar a mão sobre sua testa para perceber que se tratava de sua face refletida na parede por meio de um espelho.
Ela percebeu como havia mudado, seus lábios haviam se tornado mais carnudos, seu rosto afinado e seu corpo havia tomado forma. Ela não era mais a mesma.
Seu susto fora tão grande que suas pernas amoleceram por alguns segundos. Ao se recompor, ela sentiu uma enorme nostalgia de sua infância, onde ela poderia correr descalça pela grama sem se preocupar com as unhas de seus pés. Ela se lembrou das promessas que fazia para as estrelas, que seria uma mulher independente, sem precisar dar ouvidos para as palavras jogadas ao vento. Ela olhou em sua volta e achou patética a cena de chorar sentada ao vaso do banheiro choramingando pela vida que não havia planejado.
Novamente, ela se olhou no espelho e enxergou uma mulher que deseja sair e correr atrás da tão sonhada independência. Ela decidiu não se precipitar e aproveitar a juventude que tem, assim mesmo: dependendo de seus pais mas aprendendo e treinando sua independência futura.
Ela abriu a gaveta do gabinete do banheiro, passou aquele ousado batom vermelho, trocou de roupa e escondeu seus olhos por um par de óculos escuros. Pegou seus fones de ouvido e foi de encontro à sua tão sonhada liberdade.

sábado, 6 de setembro de 2008

Dama da Morte


Entre seus olhos furiosos e sua feição amorosa, és tu tão bela querida Morte.

Seu sorrisome atrai, seus longos cabelos me encantam e sua pele macia me convida.

És tu, dama da paz, que me levará numa barca de esperança ao lugar que tanto espero.

És tu bela dama, que me levará a quem me deixou neste mundo dominado pelo egoísmo.

És tu rainha do início que me levará de volta d'onde eu vim, d'onde formei meus sonhos, na esperança que se realizassem neste lugar farto de cores eufemistas que tentam me iludir. Mas já abri meus olhos.

Quero voltar, dama de negro, ao seu lado, d'onde essa criatura não deveria ter saído.